Formado por Giuliano Obici e Alexandre Fenerich em julho de 2007 o duo N-1 tem se apresentado em festivais, salas de concerto, galerias e bares. Sob o rótulo da música experimental o duo explora diversos processos de criação sonora-musical.
O trabalho do N-1 surgiu da experimentação sonora, da “gambioluteria” - criação de instrumentos artesanais, adaptações e apropriação de materiais sonoros diversos do cotidiano - e do improviso nas performances. Após o CD Jardim das Gambiarras Chinesas lançado em 2009 o duo intensificou sua pesquisa em performances audio-visuais incorporando microcâmeras, projeção e manipulação de imagem. Surgiram trabalhos como Marulho Oceânico, Surfing on Turntables e Metaremix onde os procedimentos estão atrelados a uma investigação sonora relacionada às perspectivas do olhar e ao contrato áudio-visual. O uso de microcâmeras captando os gestos dos integrantes durante a performance e a projeção trouxeram novas características ao trabalho do duo.
Navegando por terrenos da manipulação da imagem em tempo real o duo trouxe consigo as experimentações e vivências do sonoro para a performance sem perder o caráter especulativo característico. A sonoridade que compõe o CD n-video gravado em 2011 e finalizado em 2012 surgiu de trabalhos que foram exibidos em festivais e mostras de arte sonora, cinema, arte digital e museus num campo aberto ao experimentalismo e ao hibridismo entre linguagens artística. Neste registro o duo intensifica a sobreposição de camadas e o duplo sonoro das performances audiovisuais.
No show Jardim das Gambiarras Chinesas N-1 traz para o palco uma parafernalha de quase-instrumentos sonoros: cacos de instrumentos musicais, membros desmembrados de gadjets domésticos (vitrolas quebradas, rádios distorcidos, sintetizadores caseiros ou tecladinhos baratos ‘preparados’ com circuit-bending, computadores, máquinas de escrever, discos preparados, máquinas-relês, cabos em curto, microfonia, enlatados, caixas de música e estática) que são tocados em loop pelos músicos em cena.
Microcâmeras revelam a dança dos objetos e os gestos dos músicos. Pelo zoom da lente surgem personagens lilliputianos de proporções des-regradas: bonecos das mais diversas ordens (animais de plástico, playmobils, soldadinhosde chumbo, alienígenas e galináceos gigantes) são incorporados ao set de modo a criar uma performance própria.


